domingo, 7 de outubro de 2012

Esquece




Porque negas e afastas a possibilidade de felicidade, agora ao olhar-te reparo no peso que transportas nos ombros caídos, reparo nas rugas profundas em redor dos olhos, mas o que mais me amedronta é a falta de brilho no teu olhar.
Ouvi há muito tempo um velho dizer mais ou menos isto: Que quem nunca esquece acaba vegetando sob uma saudade soterrada em mágoa, quem nunca esquece jamais perdoará, ou dará oportunidade ao recomeçar. Dizia ele que esquecer não significa ingratidão, tampouco será afastamento, esquecer é a capacidade de arrumar no subconsciente momentos bons e maus, só quem tem a capacidade de arrumar ventura e desventura consegue perdoar, só perdoando a nós e aos outros estaremos aptos a recomeçar.
A vida é feita de fracassos e vitórias.
Agora sei-te duvidando desta minha prosa, que quero afinal, nada, simplesmente nada e tudo, esta não passa de uma conversa comigo mesma, não passa de desilusão, sendo eu desilusão aos teus olhos e tu desencanto aos meus, será que nada mais resta que afastamento cómodo. Que se tranquem os sonhos e a seu lado adormeça a vontade, que se vede o amor e a seu lado a esperança, ditamos amiúde sempre que recordamos.
 Repara, deixei de falar na segunda pessoa, porque são precisos dois para destruir vida que em tempos foi una.
Daqui para a frente falarei de vazio, o vazio deixado pelo perdão que nunca aconteceu.
Daqui por cinco anos não nos reconheceremos, passaremos lado a lado sem sequer nos olhar, nesse dia saberemos o quanto perdemos por não sabermos esquecer.

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